Entrevista com Azeitona – Voo duplo de Parapente – Texto de Helaine Batista @helainebatista

O voo duplo é para todo mundo!

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Repórter: Há quanto tempo você voa profissionalmente?
Azeitona: Desde 1985 (Data em que “Homologou” e se tornou instrutor internacional) Meu começo foi com a asa delta. Com o Parapente profissional voo há 6 anos.

Repórter: Por que o Parapente?
Azeitona: Porque é muito mais prático e mais econômico. É um esporte em ascensão. Já a asa delta está morrendo. A diferença de tempo, velocidade e distância foi encolhendo entre os dois. Além disso, a facilidade é maior, pois o investimento no parapente é um terço da asa delta. Você leva o triplo de tempo pra aprender a voar de asa delta. Você leva 10x mais tempo pra montar e desmontar uma asa delta.

Repórter: O que lhe fez começar com 18 anos?
Azeitona: Apareceu um instrutor chileno vindo do Rio de Janeiro para Mauá e começou a dar aula. Dois irmãos finlandeses faziam um curso, mas iriam parar por não haver quórum. O pai deles me comunicou que eu iria fazer o curso de asa delta no dia seguinte. Não me interessei. Não era meu perfil, não tinha dinheiro. Nunca tinha visto asa delta nem na Tv, faz muito tempo isso. (Risos) No outro dia, às 5h da manhã, ele apareceu na minha casa, me arrancou da cama e me levou para o morro da Serrinha pra ter aula. Eu cheguei num mau humor, não queria saber de aula, ainda mais às 5 da manhã! De repente, um desses meus amigos passou voando por cima de mim…. silêncio…imediatamente levantei o braço:  eu, eu, eu, eu sou o próximo! Eu quero! Daí pra frente quando perguntavam: Quem vai voar em campeonato? Eu! Eu me jogava. Até hoje essa é minha empolgação com o voo livre.

Repórter: Por que continua?
Azeitona: Porque é empolgante. Tem adrenalina, mas ela se dá em momentos e depois você acostuma com ela. Depois dá de novo.

Repórter: Você acredita que este tipo de esporte trabalha o autoconhecimento?
Azeitona: Muito. O voo livre me salvou. Empregos, cidades, viagens eram por conta do voo livre.

Repórter: Fez diferença na sua atual função ter sido instrutor de Asa delta?
Azeitona: Muita diferença. Asa delta pro parapente estaria como o surf para bodyboard. É muito mais complicado de pilotar. Precisa de mais tempo, gera mais cansaço, mais ralação e é muito mais dinheiro investido. Você consegue comprar um Parapente por dez mil reais, já a asa delta não por menos de quarenta mil reais. Tenho 3 asa deltas em casa.  É gostoso e dá uma moral na qualidade instrutor no mundo do voo livre. Mas pela praticidade, acabo voando mais de parapente.

Repórter: Quantos voos duplos no seu currículo?
Azeitona: Mais de mil.

Galeria pessoal do Piloto:

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Pousando de asa na Capelinha em 1983.

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Preparando para decolar com asa delta motorizada em Portugal,1991.

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Decolando em Rondônia em 1987.

Repórter: O que podemos dizer sobre a segurança do voo?
Azeitona: Voar de Parapente é tão seguro quanto andar de moto. Parapente ainda pode matar menos. No Brasil, acontecem quatro ou cinco mortes por ano, mas sempre erro do piloto. O piloto precisa se atualizar, aumentar suas habilidades, frequentar um curso que simula dificuldades para reabrir o parapente etc.

Repórter: Existem limitações?
Azeitona: Não existem limites de peso nem idade. Depende do aparelho que você tem. Acima de 110kg eu não realizo o voo. Quanto mais pesado, mais difícil. Tem muita gente com mais de cinquenta anos voando. Para o voo recreativo não é necessário força. Para aprender como esporte sim, precisa de esforço, precisa entrar de forma.

No próximo sábado, estreio uma novidade: inicio os voos triplos, com crianças abaixo de 50 kg. Comprei um aparelho especial para levar crianças e eles voarão com os seus responsáveis.

Repórter: E quanto às deficiências físicas?
Azeitona: O voo duplo é para todo mundo. Eu comprei aparelho próprio para voar com pessoas que tem deficiência. Os deficientes físicos na parte de locomoção tem muito mais vontade de voar. Dificuldade maior é trazer até aqui, mas o voo é tranquilo. Nos outros países existem muitos pilotos paraplégicos, inclusive.

Repórter: Quais as condições da Rampa de Visconde de Mauá?
Azeitona: É um dos sítios de voo mais seguros do Brasil. Aqui decolamos quando o vento vem de frente. É muito alto. Na maioria das vezes, o vento é calmo. A Rampa do Rio é de 500 m. Nós temos 770m. Outros lugares 300m. Temos qualidade de meteorologia, pois nossa costa está a leste. Logo, 360 dias o vento está de frente. 98% dos voos da região acontecem aqui. É apropriado tanto para ensino quanto voo duplo.

Repórter: Qual a paisagem do voo aqui?
Azeitona: Vale da Capelinha, Rio Pirapitinga, Parque da Pedra Selada. Serra da Mantiqueira como visual, claro. Vem gente de longe soltar aluno aqui.

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Repórter: Alguma morte?
Azeitona: Nenhuma.

Repórter: Qual seria a melhor roupa?
Azeitona: O ideal é voar de tênis e com uma roupa que não o deixe exposto ao frio, pois a temperatura decresce 2 graus a cada 300 metros de altura. Se o colega sobe, eu sei que vai esfriar.

Repórter: Duração do voo?
Azeitona: No mínimo de 10 a 15 minutos. Já voei duplo por mais de duas horas também. Vai depender das térmicas. Depende do sol esquentar o chão e o chão esquenta o ar. Ele esquenta de formas diferentes de acordo com as substancias da superfície. Podemos saber onde elas nascem, mas precisamos achá-las, pois os ventos deslocam as térmicas.

Repórter: Já usou o paraquedas reserva?
Azeitona: Não. Somente nos cursos que fiz.

Sobre o Curso

Repórter: Conte-nos um pouco sobre o curso de voo livre que você ministra.
Azeitona: O curso todo tem de 20 a 25 horas de aula teórica. Muita meteorologia. Saber o que está vindo e por que. Se posso ir atrás de uma coisa, se devo. Se posso entrar naquela nuvem. Qual é aquela nuvem, o que ela diz pra mim. Tem quer ler a natureza. Tem aerodinâmica, por que o aparelho se mantém no ar e quais as reações quando faz a curva, quando levanta ou abaixa o bico, etc. A grande maioria tem sono, porque é física, mas eu adoro dar aula teórica. É obrigatório. É cobrado. E se o aluno se dedicar nesta parte, sua desenvoltura no ar vai ser muito melhor. O aluno passa 80 a 85% do tempo no curso com o pé no chão. É imprescindível que tenham controle sobre tudo o que está acontecendo. Aluno meu tem que parar a vela acima da cabeça e só depois decola. Para as aulas práticas empresto o meu equipamento. Aluno não gasta nada até estar voando bem. Porque aí ele tem a medida certa de que equipamento ele vai comprar. A, B, C D. Variando de segurança e performance. Ministro de 10 a 15 aulas práticas, mas deixo os alunos bem independentes, porque o voo é sozinho e desde o início ele precisa saber disso.

Repórter: Quem aprende mais rápido?
Azeitona: O surfista aprende mais rápido. Piloto de Motocross também. Eles tem a ideia da terceira dimensão, o que modifica nossa mente. Ser humano é muito plano.

Repórter: Existe alguma atitude do instrutor para acalmar? E quanto ao voo duplo?
Azeitona: Não existe um instrutor calmo. Porque o aluno não sabe o perigo. Ele se joga sem saber o que está fazendo. O instrutor sabe das consequências. Agora, no duplo tem mais gente nervosa antes do que depois da decolagem.

Repórter: O que você diria para quem quer realizar voo duplo?
Azeitona: Voar é mesmo o desejo mais antigo do homem. O voo mais livre é o de parapente, nele você pode entrar na nuvem. É o que mais se aproxima do pássaro.

Repórter: E para quem quer se tornar piloto?
Azeitona: Quer voar de parapente? Vai precisar de vontade de voar e 10 mil reais. (Risos) Normalmente menina quer ter a única experiência de voar. Homem pensa em ser piloto. Se um deles me disser que quer ser aluno(a), preparo um voo com mais sensações do esporte. Com equilíbrio entre a segurança e as sensações.



Chegamos ao final da nossa Série 🙂 Espero que tenham curtido e que as informações sejam úteis! Nosso desejo foi aproximar as pessoas deste esporte tão fabuloso e mostrar como pode estar ao alcance de todos esta experiência maravilhosa.

Os voos livres são realizados todos os dias, dependendo da condição climática. O agendamento é feito diretamente com Azeitona – Instagram @azeitona_penedo / Face Azeitona Penedo / Fan Page AZ VOO LIVRE / Telefone (24)99253-5023 –  Gravação de Dvd com fotos e vídeo.

Ir para primeira matéria da Série – Voo duplo de Parapente – a Série

Ir para segunda matéria da Série – Aventura nas Alturas

2 Respostas para “Entrevista com Azeitona – Voo duplo de Parapente – Texto de Helaine Batista @helainebatista

  1. Bom, eu já pulei de paraquedas e achava que era o limite de adrenalina dos saltos. Mas a parte em que diz que da pra passar pelas nuvens, como um pássaro, me chamou a atenção. Parapente entrou pra minha lista. Parabéns pela entrevista!

    Curtido por 1 pessoa

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